quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

TERNURA







Ando sem tempo para escrever aqui, mas resolvi postar algo que gosto muito, do grande:
Vinicius de Moraes. Saboreie!



TERNURA
Vinicius de Moraes



Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos

Das horas que passei à sombra dos teus gestos

Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos

Das noites que vivi acalentando

Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo

Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.

E posso te dizer que o grande afeto que te deixo

Não traz o exaspero das lágrimasnem a fascinação das promessas

Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...

É um sossego, uma unção,um transbordamento de carícias

E só te pede que te repouses quieta,muito quieta

E deixes que as mãos cálidas da noite

encontrem sem fatalidade

o olhar estático da aurora.




Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.